Extremismo não!

Que as eleições realmente mostrem hoje a forma como o Brasil pensa, não só sobre a política, mas igualmente sobre seu semelhante!

A elite brasileira e a política: Quem manda?

Edson Pscheidt Jr.

Brasil

Brasil, diverso, multicultural, multicolorido, multirracial, muitos “multis”. A grande nação com diversas realidades é comandada e chefiada por alguém, não necessariamente pela figura de um presidente da república mas por inúmeros chefes por todo território que detêm em suas mãos mais do que poder, capital.

Mas quem manda no Brasil? Dos capitães do mato aos donos do engenho, dos senhores do café, barões, condes e viscondes, dos industriais e empresários, dos donos das lavouras do agronegócio aos proprietários das grandes franquias.

Mais obscena que a desigualdade é a elite que luta para mantê-la no Brasil – Leonardo Sakamoto

Por muito tempo antes mesmo da independência em 1822 quem comandava as terras tupiniquins eram os portugueses, claro que herdamos várias características de sua cultura e tradições, em especial podemos citar e língua e alguns ideais burocráticos.

Após a independência os rumos do país foram dados respectivamente aos imperadores que enfrentaram problemas políticos e econômicos característicos e condizentes com a realidade do século XIX. Porém por trás das decisões dos imperadores estava o receio em manter as classes altas da sociedade, satisfeitas.

A elite dos barões passou a viver de maneira ainda mais sofisticada, chegando a fazer concorrência com a corte. Em uma fazenda do Vale do Paraíba, o proprietário chegou a importar o gramado da Inglaterra. Alguns barões recebiam visitas da família imperial. “Nas recepções importantes, o proprietário chegava ao requinte de apresentar um menu du dinner, impresso em panos feitos em tipografia da capital, como cita; Maria Dilecta Grieg em seu livro – Café, negócios e elite.

Com a onda da cartilha liberal e abolicionista inglesa, os mais prejudicados no Brasil do século XIX seriam os donos das fazendas que sofreriam com a falta de mão de obra e a ausência de atividades no setor secundário. Diante também, do viés escravocrata brasileiro e a herança maldita dos portugueses, a burocracia, as decisões sobre fatos importantes se arrastou por muito tempo, aliado a problemática de manter os “donos do Brasil” satisfeitos, pois eram eles que sustentavam os erros e as obras do governo imperial na época.

Esse mesmo grupo descontente com a abolição da escravatura do Brasil e o enorme prejuízo causado pela decisão do governo imperial, apoia-se em um novo grupo, o exército, surgido na guerra do Paraguai (1864 – 1870). Esses articularam um golpe retirando do poder o Imperador D. Pedro II, proclamando uma república no Brasil com ideais positivistas.

Havia necessidade, ou melhor, na política sempre houve a necessidade de alianças para compor as atividades administrativas, pois acordos entre empresários (donos do negócio) e os governantes garantem não apenas investimentos, mas também ‘patrocínios” para realizações políticas. Fato esse que comprava que na maioria das vezes as ações públicas, principalmente no Brasil, são coagidas para privilegiar poucos e quando as minorias (em termos de classe baixa) recebem algum estímulo, esses logo são questionados.

Tanto são questionados que a própria classe mais baixa não compreende sua realidade e apoia as campanhas de provocação e caça as perdas de ações consideradas por muitos, ou no caso da classe alta, “por poucos, práticas assistencialistas e que sustentam preguiçosos.

Adiante com a proposta de resumir quem foram e quais são os donos do Brasil, ou seja, figuras que ao lado do governo buscavam a privilégios, financiando o próprio governo e até mesmo fazendo parte dele, pois apesar de pagar impostos altos, inadimplentes importantes como bancos no Brasil, vez ou outra são libertos de suas dívidas.

Quanto a linha cronológica da narrativa, com a república da espada os militares tomaram as rédeas do país e após 1894 civis passaram a chefiar o Estado. Nessa composição a república velha ou república do café com leite, devido a alternância no poder entre líderes políticos de Minas e São Paulo, o Brasil segue até 1930, amparado nos interesses da rica classe, nessa realidade ex-escravos iam se instalar nos morros, pobres trabalhavam na construção das cidades, bem como das lavouras.

Getúlio Vargas ficou conhecido pelas inúmeras polêmicas envolvendo seu nome, mesmo assim durante 15 anos no poder alavancou o Brasil a um patamar pouco mais industrializado, passou pela crise de 29 e por uma guerra mundial.

Uma frase impactante e popular proferida em seu favor dizia que este era “pai dos pobres”, entretanto apesar de ter criado o ministério da educação e trabalho (principalmente), a frase completava-se com: “mãe dos ricos”, ficando evidente que o eufemismo à maternidade, nada mais era que uma prova de que o (naquela época) tirano, era aliado das altas classes.

No segundo mandato (1950-1954) Vargas volta ao poder máximo pela democracia, com ações nacionalistas, liberais, criando estatais e favorecendo as bases. Fatos que foram desaprovados pela maioria da classe política e também pela elite, após inúmeras perseguições a história exibe seu suicídio.

Entre as importantes abordagens, Brasília, idealizada no governo Juscelino Kubitschek, em meados dos anos 60, teve real influência e interesse por parte dos senhorios do Brasil. Óbvio, oposições eram comuns pois a mudança afetaria diretamente o Rio de janeiro e todo sudeste.

Para as elites a cidade mais moderna do planeta, para os mais pobres trabalhadores e construtores da “terra nova” esta seria um lugar de oportunidades. Além dos indígenas residente na região os mais atingidos foram mesmo os migrantes sertanejos locais, chamados candangos, também derramaram suor e lágrimas por construção de Brasília e entraram para história como invisíveis.

“Brasília nasceu de um gesto primário. Dois eixos cruzando. Ou seja: o próprio sinal da cruz. Como quem pede benção ou perdão”. (Nicolas Behr)

Quanto ao período militar e a suposta ameaça comumista em 1964, temo-nos como obrigação explicar que estará mais fundamentada na próxima postagem “Delírio ou epífania”, com a proposta de explicar a onda que levou classes religiosas, empresariais, políticas e até mesmo femininas e juvenis a apoiar um golpe militar no Brasil.

Gilmar

Como já dito, não seria possível uma ditadura militar sem apoio de alguns setores da sociedade, em principal meios importantíssimos de comunição, rádio e tv, igreja, empresários e por fim mas não menos importante parte da população que acatou positivamente a ideia.

Após 21 anos de perdas enormes dos direitos indivíduais, a democracia prega peças, traz José Sarney ao poder pelo MDB e posteriormente uma figura jovem apoiada pelos mecanismos de imprensa e elites pelo discurso inflamado e por sua proposta de “caçar os marajás”, mais tarde sua queda foi articulada com apoio das elites após ter raspado fortunas das contas bancárias de brasileiros para reestruturar a economia brasileira.

Nos períodos seguintes as elites posicionam-se abertamente contra práticas assistencialistas por parte do governo. Não resumindo ao Partido dos trabalhadores apenas, mas igualmente por toda história, como visto.

Recentemente nos ildos de 2012 o Brasil acompanhou o desenrrolar de fatos que levaram à uma crise econômica, queda da primeira presidente mulher na história do Brasil, por meio de acordos em um jogo secundário do poder político, fazendo com que o conservadorismo seja visto como valor ético e não um atraso.

As eleições em 2018, refletem violência e apoio das elites brasileiras à um candidato polêmico, com discurso parecido ao do caçador de marajás, que nada mais escancara do que a elite raiz brasileira que sabe que a política pode ser usada em seu favor, mas não sabe como essa de fato funciona, tem preguiça e ódio de tentar saber e usará por muito tempo os escudos da família, ética e bons costumes para justificar o preconceito.

Ainda quem manda no Brasil é o mesmo dono do engenho que põe os humildes para trabalhar, usa do capitão do mato para repreender, da política para estar por cima e da influência ou prestígio para enganar!

Não estamos pregando ódio contra as elites nem luta de classes marxista, porém se ela financia políticas deve promover mudanças também para o desprovido, não caridade nem sustento, mas oportunidade de mudanças, pois se os de baixo vão bem, podem elevar ainda mais os que estão acima.

O ódio ao pobre também nada leva!

Salve! ✌

Hoje é o dia dela: Democracia

Edson Pscheidt Jr

#Brasil

Democracia, do grego; demokratia.as – Regime que se baseia na ideia de liberdade e de soberania popular; regime em que não existem desigualdades e/ou privilégios de classes.

Em comemoração ao dia da democracia, nada melhor do que fazermos um exame de consciência sobre como estamos tratando a democracia brasileira e como ela foi afetada ao longo da nossa história. A briga e a vigilância interminável para manter esse direito, por vezes é abalada com ideias falsas de mudança provocada também por falsas informações não apenas divulgadas na internet, mas nos púlpitos das igrejas, folhas de jornais, diz que me diz que, entre outros.

Em linhas gerais a democracia apresenta sérios problemas no mundo todo, pois a diversidade atrapalha o pensamento de alguns que não aceitam o diferente. A democracia pode garantir direitos dos que pouco tem acesso à informação, ou até mesmo compromete-la, pela própria falta de informação.

A democracia brasileira comprovadamente mostrou-se frágil ao longo da história, ao todo o brasileiro foi impedido de escolher seu representante máximo por três vezes, só no período republicano, sendo no início da república no qual apenas homens da alta classe votaram e apenas em 1891, nessas eleições analfabetos, menores de 21 anos, mulheres, mendigos, soldados, indígenas e membros da igreja.

A segunda vez que o brasileiro enfrentou a restrição ao direito democrático foi com Getúlio Vargas que promulgou o Estado novo de 1937, antes de disso Vargas havia retirado do poder o presidente Washington Luís com um golpe político em 1930. Apesar de garantir o direito ao voto feminino, Getúlio larga as rédeas do país apenas em 1945.

E a terceira vez em que o brasileiro foi impedido de escolher seus representantes de forma democrática foi no período de 1964 – 1985, no chamado Regime Militar ou Ditadura Militar Brasileira. O fato que chama atenção nesse período e a forte onda de censura e posterior resistência de grupos armados (guerrilha), as intensas radicalizações de ideologias políticas (tanto de direita como de esquerda), levaram a morte de inúmeras pessoas, sejam pró e contra o governo.

Esse período está sendo estudado por muitos intelectuais atualmente, pois em 2014 ocorreu a lembrança dos 50 anos do fato, o período foi marcado pela presença de militares de carreira no poder máximo da república brasileira, nos quais foram registrados falsos avanços econômicos (período desenvolvimentista), porém outros problemas como a censura, repressão à opositores e bipartidarismo (existiam apenas dois partidos MDB – oposição e Arena – situação), foram os protagonistas do período.

O período terminou com o movimento democrático do Diretas Já! pedindo a volta da democracia e o direito ao voto, em meados da década de 80. Nessas alturas o regime militar estava desestruturado e praticamente vencido.

Todos esses fatos sobre os três períodos são comprovados por estudiosos renomados como: René Armand Dreifuss, Jorge Ferreira e Angela de Castro Gomes, Elio Gaspari, Maria Helena Moreira Alves, Eduardo Bueno, Dom Paulo Evaristo Arns, Lilia Moritz Schwarcz, entre outros.

O fato da não existência ou ameaça da democracia coloca os integrantes de uma nação em perigo, pois se lhes é proibido de escolher o representante dos rumos do seu Estado, quais as garantias de direitos e deveres no futuro?

No presente dia saudamos a democracia, por seu dia e importância, apesar dos registros de escolha de péssimos representantes, com o direito à democracia possuímos garantias ou a possibilidade de aprimorar o exercício do voto.

Salve a democracia! Salve o direito que temos ao voto!

Imagem: everydayanart_leecl828

Salve! ✌

Apresentação Epítome

Como forma de buscar fazer a diferença e aproveitar as maravilhas do mundo contemporâneo que permite o compartilhamento de informação e conhecimento, criamos o Blog Epítome Info. A iniciativa busca falar sobre diversos temas, nao envolvendo apenas história e sociologia, paixões do casal por de traz da plataforma, mas igualmente assuntos relacionados ao cotidiano, tradições culinárias, curiosidades, filosofia, namastê (risos), datas e exemplos de vida.

Deixamos de já, claro que apreciamos todos os comentários relacionados às postagens, possibilitando também amplo espaço para debates sobre os temas e assuntos publicados. Porém todo e qualquer posicionamento extremista, xenófobo, preconceituoso e intolerante, será tratado com firmeza.

O espaço (blog) é destinado aos que sentirem-se à vontade para escrever sobre os mais váriados assuntos, contar suas histórias e expor suas opiniões. Interessados podem entrar em contato conosco pelas redes sociais ou pelo email – epitomeblog@outlook.com

Salve! ✌